UM NOME NA EDUCAÇÃO: PROFESSOR IVANILDO JOSÉ.

UMA VIDA DEDICADA A EDUCAÇÃO. ACREDITANDO SEMPRE QUE A EDUCAÇÃO É UM DOS MEIOS MAIS EFICAZ DE TRANSFORMAR E PROGREDIR UMA NAÇÃO.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A inclusividade e ações norteadoras de práticas ambientais quanto ao problema do “LIXO” escolar produzido. Desenvolvidas com as crianças do 1º ano do

UNIVERSIDADE DA MADEIRA- Uma. Funchal - Portugal.

www.uma.pt

MESTRADO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO – ÁREA DE INOVAÇÃO PEDAGÓGICA.

A inclusividade e ações norteadoras de práticas ambientais quanto ao problema do “LIXO” escolar produzido. Desenvolvidas com as crianças do 1º ano do Ensino Fundamental I da Escola Municipal Professor José Marcelino Xavier no Município de Pesqueira – Pernambuco.

Ivanildo José do Nascimento.

Recife, 2010.

Ivanildo José do Nascimento

A inclusividade e ações norteadoras de práticas ambientais quanto ao problema do “LIXO” escolar produzido. Desenvolvidas com as crianças do 1º ano do Ensino Fundamental I da Escola Municipal Professor José Marcelino Xavier no Município de Pesqueira – Pernambuco.

Pré Projeto apresentado ao Curso de Mestrado em Ciências da Educação – Área Inovação Pedagógica da Universidade da Madeira – Funchal – Portugal. Em cumprimento as exigências da Disciplina Investigação em Educação. Ministrado pelo Professor Doutor Roberto Sidnei Macedo – UFBA. Para Obtenção de Crédito e Aprovação na Disciplina.

Recife, 2010.




1. TÍTULO:

A inclusividade e ações norteadoras de práticas ambientais quanto ao problema do “LIXO” escolar produzido. Desenvolvidas com as crianças do 1º ano do Ensino Fundamental I da Escola Municipal Professor José Marcelino Xavier no Município de Pesqueira – Pernambuco.

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2. PROBLEMÁTICA:

Partindo da minha vivência em sala de aula na escola pública, nestes 20(vinte) anos de docência na área de Ciências. Observei em inúmeras situações a ausência de Informação, Sensibilização e Estimulação quanto ao lixo produzido na escola municipal Professor José Marcelino Xavier. Esta situação me inquietou e por diversas vezes fui conduzido a reflexões interrogativas: Como resolver o problema do lixo produzido nesta escola? Qual a maneira de levar informação? Como tocar (sensibilizar) as crianças? Quais os estímulos para atacar o problema? Como inserir as crianças nesta problemática de forma prática e ativa? Como desenvolver ações a partir de atividades simples que possibilitassem uma sensibilização e que despertasse um estímulo quanto ao sério problema do lixo. Diariamente as crianças nesta escola cometem atos destruidores (mesmo de forma inocente) em relação ao meio ambiente. Normalmente elas jogam papel de balas, chicletes, palitos, lápis, borrachas, latas, plásticos, réguas e outros materiais didáticos pedagógicos que formam o universo escolar. Estas práticas cotidianas e simples desencadeiam inúmeros problemas ambientais e provocam uma avançada destruição dos recursos naturais. Conduz a uma degradação ambiental e um risco iminente de um colapso ecológico. Onde a situação já dá sinais de que a vida está cada vez mais ameaçada.

O lixo se tornou um sério problema no nosso meio. O homem sem perceber tornou-se inconsciente da sua dependência em relação ao meio ambiente. Desta forma em vez de ser construtor, tornou-se destruidor do meio ambiente, ou melhor, de si mesmo. A vida cada dia mais e mais caminha para um mundo artificial.

Vimos produção de lixo em sala de aula, no banheiro, no pátio e nas demais repartições e setores da escola. Estes locais recebem uma quantidade absurda de lixo diariamente. Tive uma constatação grave: não há um mínimo de comprometimento por parte de muitos professores e demais envolvidos no processo educacional quanto à questão do lixo. Não há projetos a respeito da utilização e reutilização do lixo. Bem como não existe orientação aonde deve ser colocado o lixo e como deve ser colocado, de acordo com a sua reutilização ou descarte total. O problema do lixo é nosso e é preciso tomar iniciativas a respeito. Já que produzimos cerca de 300 quilos por ano de lixo por cada pessoa. Este lixo que em sua grande maioria passa muito tempo em contato com o ambiente, poluindo o mesmo. É muito comum jogar papel no chão,este passa cerca de 06 (seis) meses para poder ser decomposto. O chiclete chega a ficar até 05(cinco) anos, o plástico e o metal passam um tempo de 100(cem) anos, a borracha passa um tempo indeterminado e o vidro atinge a incrível marca de 1000000(um milhão) de anos. Concluímos que não há como deixar de produzir lixo na escola, no entanto, é possível diminuir esta produção, e podemos também reutilizar e reaproveitar. Reduzindo o desperdício no nosso cotidiano, reutilizando sempre que possível, separando os materiais que pode ser reaproveitado e transformando mediante o processo de reciclagem, que é um dos meios viáveis benéficos para o meio ambiente. Diante da constatação do problema e sensibilização da necessidade e responsabilidade de intervirem, as crianças foram estimuladas a desenvolver juntos com os professores um programa permanente de coleta seletiva do lixo. Onde a própria escola será inicialmente o ponto de coleta. A escola fará o recolhimento do material separado e seu armazenamento será feito em um local adequado, após irá providenciar o destino final do lixo, que pode ser a comercialização dos materiais transformados e o encaminhamento dos demais materiais não transformados para as Usinas de reciclagem do lixo.

O lixo tem causando grandes mudanças no planeta, para isto verificamos diversos locais contaminados pelo lixo: Rios, barragens, açudes, esgotos, lixões e aterros sanitários. Tudo isto fazem parte da vida das pessoas e principalmente destas crianças. Com este envolvimento das crianças não foi muito difícil propor um conjunto de ações que pudessem recuperar conservar e preservar o meio ambiente. E várias ações foram desenvolvidas com e entre elas: como a coleta seletiva e a reutilização dos materiais mediante a reciclagem. Diversas simulações de utilização, reutilização e reciclagem foram desenvolvidas na escola e na comunidade. De acordo com este aspecto apresentado, vimos à importância de cuidar do lixo.

Mediante o contato e reflexão sobre o meio ambiente na escola em que elas vivem. Partindo do propósito de transferir responsabilidades quanto à recuperação, conservação e preservação do meio ambiente. Para uma tomada de decisão movida de um conjunto de ações a que venha tentar reverter o quadro de destruição em que o planeta se encontra. Por meio de contato e reflexão sobre o meio ambiente em que elas vivem, tocando na sensibilização destas crianças, estimulamos e incentivamos a aproximação das crianças com a natureza. É necessário levar estas crianças a sentir e viver o ambiente natural, para que elas possam identificar os seus problemas e possam formatar as ações que conduzam a um processo de longo prazo, mas de sucesso, de recuperação, preservação e conservação.

A escola é no contexto: o local de formação, reflexão e sensibilização para este grave problema. Ela é responsável por uma formação adequada face ao grave problema de destruição do Planeta. Já que estamos vivendo a era dos descartáveis, isto é, dos produtos que são utilizados praticamente uma única vez ou por pouco tempo e em seguida são jogados fora. Atualmente, lápis, canetas, cadernos, revistas, latas, livros, jornais, roupas, plásticos, CDs, etc. são utilizados em grande escala e estes após a utilização são descartados formando uma grande montanha de lixo. Essas ações praticadas contra a natureza estão conduzindo o meio ambiente a catástrofes disseminadoras da vida animal e vegetal. Entendemos que uma das saídas é voltar ao começo da vida e refazer o que está errado. As crianças são: a renovação de um novo ambiente, e estas que ingressaram na vida estudantil, que estão no 1º ano do Ensino Fundamental I na Escola Municipal Professor José Marcelino Xavier no Município de Pesqueira-PE. têm uma grande missão: recuperar, conservar e preservar o meio ambiente que elas vivem. Estas crianças poderão ser o recomeço de uma humanidade voltada para a conservação e preservação do Planeta. Elas poderão cuidar da recuperação. Elas sensibilizadas, instruídas, orientadas, sairão do falar e partirão para ação. Estas ações de caráter permanente e de maneira inclusiva no processo de ensino aprendizagem que visa transformar e gerar uma nova consciência na defesa do meio ambiente. rduo de melhorar a vida no Planeta.riar em seu ambiente alguns estudanteses, sendo realizadas com responsabilidade, compromisso e vontade de transformar a situaç

3. OBJETIVO GERAL:

Desenvolver um conjunto de ações norteadoras que sensibilizem e estimulem a realização de práticas ambientais quanto à questão do lixo produzido na escola. O que fazer com tanto lixo, como aproveitar e reaproveitar este lixo com as crianças do 1º ano do Ensino Fundamental I da Escola Municipal Professor José Marcelino Xavier no município de Pesqueira – PE. Ações que propiciarão uma possível recuperação, preservação e conservação do meio ambiente.

4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

4.1 – Conhecer o tipo de lixo que é produzido na escola e identificar o seu impacto no ambiente;

4.2 - Identificar os locais na escola que são produtores de lixo e verificar para aonde o mesmo é destinado;

4.3 - Realizar visitas a locais poluídos por destinação final do lixo: aterro sanitário e lixões;

4.4 – Realizar visitas a barragens, açudes, rios e demais locais poluídos pelo lixo produzido na escola;

4.5 – Desenvolver um conjunto de atividades práticas em sala de aula que visam à sensibilização, conscientização e estimulação de como cuidar do lixo escolar;

4.6 – Desenvolver atividades práticas de coleta seletiva do lixo na escola;

4.7 - Promover ações periódicas de despoluição, aproveitamento, reaproveitamento, utilização e reutilização do lixo escolar a partir de coleta seletiva e encaminhamento do mesmo para o destino final correto (aterro sanitário e Usina de reciclagem).

5. METODOLOGIA:

5.1 ETNOGRAFIA.

A pesquisa no campo etnográfico deste projeto tem uma abordagem de investigação científica qualitativa que faz parte do processo de desenvolvimento do mesmo. Esta abordagem propicia contribuições relevantes no campo da pesquisa qualitativa, e aponta de forma eficaz a situação em questão, bem como os possíveis caminhos que conduzirão a uma solução.

Realizar pesquisa etnográfica neste projeto implicou em colocar as crianças envolvidas como construtores de uma nova realidade, da sua própria realidade. Viu-se no seu desenvolvimento uma participação dinâmica, inovadora, crítica e que resultou em ações concretas de transformação do meio ambiente. Ações conjuntas refletidas e vivenciadas no objeto de pesquisa.

No caminhar do projeto, foram tomadas algumas medidas por parte do pesquisador para o sucesso do mesmo. Onde tivemos estudo de caso, observação participante, questionário e entrevistas.

5.2 ESTUDO DE CASO:

Este foi direcionado com o intuito de identificar a localização da escola e a formação familiar das crianças quanto aos seus hábitos referentes à destinação do lixo. Este estudo buscou identificar uma resposta da situação explicitada dentre tantas que poderão ser identificáveis. O mesmo não esgotará o campo solucionador, abrirá tão somente um caminho para as crianças transformarem com as suas práticas o meio ambiente. Verificou-se que a escola investigada fica localizada na periferia do município de Pesqueira, a mesma tem problemas de estruturas físicas e localização (já que fica bastante afastada do centro da cidade), isto é, fica um pouco esquecida pelo poder público. Quanto à formação familiar das crianças é quase inexistente já que estas são membros de famílias marginalizadas, muitos pais destas crianças vivem no submundo do crime, alguns já cumpriram sentenças na cadeia e outros ainda se encontram no presídio, o vício do alcoolismo é uma constante nestes lares. As crianças têm a escola como o seu ponto de apoio e fuga dos problemas que residem em seus lares. Diante deste quadro como receber formação para uma educação ambiental, como receber orientação para cuidar do lixo, se muitas vezes elas se consideram o próprio lixo da humanidade. A escola diante desta situação é o melhor veículo de informação e formação e esta deve ser a sua função. Desenvolvi a pesquisa com um grupo de 20(vinte) crianças/estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental I desta escola citada e com alguns professores, com o propósito de modificar a sua formação conceitual e prática, sensibilizando e estimulando as mesmas a interferir no processo de degradação ambiental provocado pelo lixo, indicando formas de utilização, reutilização e reciclagem deste lixo.

5.3 OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE:

A partir das minhas observações na escola municipal Professor José Marcelino Xavier em que desenvolvo a docência em aulas de Ciências. Senti-me responsável pela ausência de informação, sensibilização e estimulação quanto ao meio ambiente no que se refere ao problema do lixo. Incomodou-me sobremaneira a forma como é conduzida a formação (quase inexistente) das crianças que estão no 1º ano do Ensino Fundamental I. O quanto às mesmas não são orientadas (educadas) em relação à recuperação, preservação e conservação do meio ambiente em que elas vivem. Pude de início comprovar o descomprometimento dos professores neste processo de ensino aprendizagem formador. Tão significante para a vida destas crianças.

O que mais me instigava era como inserir de forma inclusiva ações a partir de atividades que dessem possibilidades das crianças se sentirem sensibilizadas, estimuladas a praticarem ações que resultassem na melhoria da qualidade de vida. Principalmente na qualidade de vida das próprias. Uma vez que cuidando do meio ambiente, elas estarão cuidando da sua própria existência no Planeta.

Nas minhas inúmeras visitas nesta escola, observei como a educação ambiental não faz parte da vida destas crianças. Vivendo com as crianças no seu cotidiano nesta escola, acompanhei as suas práticas contra o meio ambiente: papel, plástico, lápis, latas e outros materiais que são considerados lixos por elas, fazem parte do cotidiano delas na sala de aula e em outros compartimentos da escola. Verifiquei ainda como a sala de aula, o banheiro, o pátio e as demais repartições e setores da escola recebem uma quantidade absurda de lixo diariamente. “Tive ainda uma constatação mais grave:” não há um mínimo de comprometimento por parte dos professores e demais envolvidos no processo educacional quanto à questão do lixo”. Senti-me responsável por esta situação, que não pode continuar.

5.4 QUESTIONÁRIO:

Utilizei um questionário como técnica para obtenção de informações precisas sobre o problema identificado. Procurei objetivar o máximo possível e como tinha um foco na sensibilização e estimulação quanto ao objeto da pesquisa, foquei em 3(três) perguntas abertas: a 1ª(primeira) O que é lixo escolar? a 2ª(segunda) Quem é responsável pela produção do lixo escolar? E a 3ª(terceira) O que você pode fazer diante do problema do lixo escolar? Direcionei estas perguntas as crianças/estudantes e professores para obter dos mesmos informações consistentes quanto ao objeto pesquisado.

5.5 ENTREVISTAS:

A realização das entrevistas dialogadas com as crianças e professores me forneceram respostas que me deram comprovação do grave problema ambiental referente ao lixo escolar. Na primeira pergunta as respostas mais citadas foram: 1- lixo escolar são restos de coisas que não serve mais para nada, como por exemplo, estas bancas quebradas têm que ser jogadas no lixo; 2- lixo escolar é o que não servem mais pra gente, então a gente joga fora; 3- o lixo é tudo que não presta mais. Foi interessante observar que as respostas das crianças e dos professores não apresentaram uma discrepância significativa. Pelo contrário em muitas a resposta obteve uma sinonímia. Na segunda pergunta identificamos as seguintes respostas: 1- os alunos; 2- todos da escola, por que todo mundo nesta escola produz um pouco de lixo. Identificamos pelas respostas obtidas um reconhecimento no que diz respeito à responsabilidade na produção do lixo, senti em cada resposta dada certo sentimento de culpa por parte dos entrevistados, mais especificamente nos professores que conseguiram ver o quanto são responsáveis e ao mesmo tempo descomprometido com o meio ambiente. Já nas crianças o impacto foi menor, no entanto, o despertar para mudar a situação foi bem mais evidente e comprometedor. Algumas inclusive se colocaram disponível para realizar atividades em defesa do meio ambiente. Na terceira pergunta identifiquei respostas mais coesas e comprometidas com a mudança do quadro apresentado. As respostas apontaram algumas ações que nortearam uma prática face ao problema identificado e estudado. As crianças e professores deram as seguintes respostas: 1- Utilizar todo material de forma racional; 2- Reutilizar sempre para evitar a utilização de novos materiais; 3- Reciclar todo o material que puder.

6. CONCLUSÃO:

Na pesquisa foi possível detectar o problema do lixo escolar na escola citada. As entrevistas com as crianças e professores apontaram ações norteadoras inclusivas para redução do problema. identifiquei a vontade e disponibilidade para mudar a situação gerada com o problema do lixo.Não podemos deixar de produzir lixo, no entanto, é possível diminuir esta produção com informação e formação, podemos reutilizar e reaproveitar. Reduzindo o desperdício na nossa escola, reutilizando o mais possível, separando os materiais que pode ser reaproveitado e transformando mediante o processo de reciclagem, que é um dos meios viáveis benéficos para o meio ambiente e para nossa vida. Diante da constatação do problema e sensibilização da necessidade e responsabilidade de intervirem, as crianças com o apoio dos professores foram estimuladas a desenvolver junto com os professores um programa permanente de coleta seletiva do lixo. Onde a escola será o ponto de coleta. A escola fará o recolhimento do material separado e seu armazenamento será feito em um local adequado, após irá providenciar o destino final do lixo, que pode ser a comercialização dos materiais transformados e o encaminhamento dos demais matérias não transformados para as usinas de reciclagem do lixo. Este conjunto de ações norteadoras permanentes desenvolvidas na escola seguiu algumas etapas sistemáticas: 1- em convívio com as crianças e professores nesta escola tive o apoio da comunidade educativa e isto me forneceu condições de implantar as ações com a cooperação dos mesmos. 2- os materiais considerados lixos passaram a ser utilizados por professores e estudantes/crianças com uma nova visão de utilização e reutilização. Propomos conhecer a situação do lixo com material informativo em documentários, livros, revistas, internet e outras fontes, o que foi bem aceito pelos professores e as crianças envolvidas. Programamos visitações a lugares que se encontram contaminados pelo lixo: rios, barragens, açudes, lixões, esgotos e aterros. Nas visitas as crianças se sentiram como responsável pela construção de um mundo melhor (um mundo mais limpo). Estes locais que fazem parte da vida delas, até então desconhecidos tocaram de forma impressionante e não foi muito difícil propor um conjunto de ações que pudessem objetivar: recuperar, conservar e preservar o meio ambiente. As ações propostas foram inicialmente o reconhecimento do que é realmente lixo para poder classificá-lo. Este reconhecimento se deu mediante a separação do lixo produzido. Foram intensificadas as informações a respeito da correta utilização dos materiais visando uma maior durabilidade e menor reposição. A reutilização sempre que possível. A coleta seletiva será feita na escola com reservatórios confeccionados e identificados pelos próprios estudantes. E a reciclagem que transforma papel usado em papel novo, garrafas plásticas em carrinhos, vassouras, jarros e outros materiais de decoração. Este é apenas o início de um trabalho que poderá se disseminado para outras escolas. O ambiente escolar direcionado é uma das saídas para a transformação da realidade dos envolvidos. No contexto identificamos que a escola é fundamental no processo de transformação social e as crianças sensibilizadas, instruídas (orientadas) e estimuladas no tocante exposto: o lixo escolar. Estas podem fazer a diferença, não só para elas, mas para a sua família, sua comunidade, sua cidade, seu mundo.

A inclusividade e ações norteadoras de práticas pedagógicas educacionais ambientais nas séries iniciais do Ensino Fundamental do Município de Pesqueir

UNIVERSIDADE DA MADEIRA- Uma. Funchal - Portugal.

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MESTRADO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO – ÁREA DE INOVAÇÃO PEDAGÓGICA.

A inclusividade e ações norteadoras de práticas pedagógicas educacionais ambientais nas séries iniciais do Ensino Fundamental do Município de Pesqueira – Pernambuco.

Ivanildo José do Nascimento.

Recife, 2010.

Ivanildo José do Nascimento

A inclusividade e ações norteadoras de práticas pedagógicas educacionais ambientais nas séries iniciais do Ensino Fundamental do Município de Pesqueira – Pernambuco.

Pré Projeto apresentado ao Curso de Mestrado em Ciências da Educação – Área Inovação Pedagógica da Universidade da Madeira – Funchal – Portugal. Em cumprimento as exigências da Disciplina Investigação em Educação. Ministrado pelo Professor Doutor Roberto Sidnei Macedo – UFBA. Para Obtenção de Crédito e Aprovação na Disciplina.

Recife,2010.




1. TÍTULO:

A inclusividade e ações norteadoras de práticas pedagógicas educacionais ambientais nas séries iniciais do Ensino Fundamental do Município de Pesqueira. – Pernambuco.

2. PROBLEMÁTICA:

A maneira que o Planeta está sendo conduzido pelo Homem, durante o tempo em que este está no controle. Desencadeou inúmeros problemas ambientais. Provocando uma avançada destruição dos recursos naturais. A degradação ambiental, o risco iminente de um colapso ecológico dá sinais de que a vida está cada vez mais ameaçada e que se não forem tomadas medidas opositoras a este avançado estado de destruição. A vida tanto vegetal como animal poderá ser extinta da Terra.

O desenvolvimento produziu um distanciamento muito drástico do ser humano com a natureza. O homem sem perceber tornou-se inconsciente da sua dependência em relação ao meio ambiente. Desta forma em vez de ser construtor, tornou-se destruidor do meio ambiente, ou melhor, de si mesmo. A vida cada dia mais e mais caminha para um mundo artificial. As pessoas vivem, ou melhor, sobrevivem em ecossistemas desagregados, onde os materiais de consumo e até sua própria alimentação são produzidos artificialmente. O natural tem pouco valor ou quase valor nenhum. É necessário e fundamental sensibilizar e mediante a sensibilização estimular as crianças, acerca da importância valiosa da natureza para a vida humana. Mediante o contato e reflexão sobre o meio ambiente em que elas vivem transferir responsabilidades quanto à recuperação, conservação e preservação do meio ambiente. Para uma tomada de decisão movida de um conjunto de ações a que venha tentar reverter o quadro de destruição em que o planeta se encontra. Por meio de contato e reflexão sobre o meio ambiente em que elas vivem tocando na sensibilização destas crianças, estimulamos e incentivamos a aproximação das crianças com a natureza. É necessário levar estas crianças a sentir e viver o ambiente natural, para que elas possam identificar os seus problemas e possam formatar as ações que conduzam a um processo de longo prazo, mas de sucesso, de recuperação, preservação e conservação.

A escola entra neste contexto reflexivo, sensibilizador e formativo como um ponto de origem que pode desenvolver uma formação adequada face ao grave problema de destruição do Planeta. Muitas são as formas de degradação, destruição mesmo do meio ambiente. No entanto, focalizaremos nossas ações ambientais na questão do lixo. O que fazer com tanto lixo. Um problema que o homem não consegue administrar no espaço em que vive. Que não consegue resolver nem na sua própria casa. Essa produção de lixo que aumentou muito a partir da Revolução Industrial. Em toda parte do mundo observa-se um consumismo exagerado, as pessoas estão adquirindo vários produtos e substituindo os mais antigos pelos mais modernos. O que conseqüentemente gera mais e mais lixo. Encontramos verdadeiros cemitérios de automóveis, computadores, celulares, brinquedos, etc. Nos dias atuais os aparelhos eletrodomésticos em geral, como rádios, ferros elétricos, fogões e aparelhos de som, têm menor durabilidade, quebram-se facilmente e necessitam de reposição em curto prazo. Estes são trocados constantemente. Produzindo mais lixo. Estamos vivendo, assim, a era dos descartáveis, isto é, dos produtos que são utilizados praticamente uma única vez ou por pouco tempo e em seguida são jogados fora. Atualmente, fraldas, lenços, jornais, roupas, plásticos, CDs, relógios, etc. são utilizados em grande escala e estes após a utilização são descartados formando uma grande montanha de lixo. Essas ações praticadas contra a natureza estão conduzindo o meio ambiente a catástrofes disseminadoras da vida animal e vegetal. Novamente insisto, é preciso dá uma basta, sair das palavras e partir para as ações para deter a destruição ambiental. Enquanto nos resta ainda um pouco de tempo. Depositamos esta recuperação, conservação e preservação nas crianças e para isso estamos dando o suporte necessário. Entendemos que uma das saídas é voltar ao começo da vida e refazer o que está errado. As crianças são: a renovação de um novo ambiente, e estas que ingressaram na vida estudantil, que estão nas séries iniciais do ensino fundamental têm uma grande missão: recuperar, conservar e preservar o meio ambiente. Estas crianças poderão ser o recomeço de uma humanidade voltada para a conservação e preservação do Planeta. Elas poderão cuidar da recuperação. Elas sensibilizadas, instruídas, orientadas, sairão do falar e partirão para ação. Estas ações de caráter permanente e de maneira inclusiva no processo de ensino aprendizagem serão informativas e formativas que gere uma nova consciência na defesa do meio ambiente.

A escola é um dos melhores caminhos para esta recuperação e implantação de um novo modelo consciente de vida natural. Ela tem a força de envolver de forma direcionada a família, a comunidade, os setores sociais e os professores (educadores) juntamente com os estudantes (no foco expressivo: as crianças). Trabalhando nesta idéia de forma exclusivista nas atividades diárias com insistência, projetando resultados para as novas gerações, sendo realizadas com responsabilidade, compromisso e vontade de transformar a situação Catastrófica. Poderão dá resultados bem satisfatórios. Inclusive preocupados com a situação que se apresenta a escola pode direcionar atividades com estudantes que sejam multiplicadores. Que se integre ao trabalho árduo de melhorar a vida no Planeta. Ações que podem ser realizadas na questão do lixo.

O meio ambiente está pedindo socorro, está na UTI (unidade de terapia intensiva). Ações desenvolvidas pelo Homem o levaram a este estado de desequilíbrio com rastros de destruição Se não houver uma intervenção forte, eficaz e solucionadora. O mundo caminhará a passos cada vez mais velozes para a sua extinção. É preciso tentar deter, dá uma basta no avanço desenfreado da destruição, antes que seja tarde demais.

3. OBJETIVO GERAL:

Desenvolver um conjunto de ações norteadoras que sensibilizem e estimulem a realização de práticas ambientais quanto à questão do lixo produzido. O que fazer com tanto lixo, como aproveitar e reaproveitar este lixo com as crianças das séries iniciais do Ensino Fundamental da cidade de Pesqueira – Pernambuco. Ações que propiciarão uma possível recuperação, preservação e a conservação do meio ambiente.

4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

4.1 – Conhecer e reconhecer mediante documentários, revistas, livros e demais fontes de informações como está à situação do ambiente relativo ao recolhimento e destino do lixo;

4.2 - Identificar locais que são comprovados alto índice de degradação ambiental no que se refere ao lixo mediante mapeamento dos locais degradados.

4.3 - Realizar visitas a locais poluídos por destinação final do lixo: aterro sanitário e lixões;

4.4 – Realizar visitas a barragens, açudes, rios e demais locais poluídos pelo lixo de origem doméstico e industrial;

4.5 – Desenvolver um conjunto de atividades práticas em sala de aula que visam à sensibilização, conscientização e estimulação de como cuidar do meio ambiente;

4.6 – Desenvolver atividades práticas de coleta seletiva do lixo na escola, envolvendo a comunidade e extensionando para a cidade;

4.7 - Promover ações periódicas de despoluição, aproveitamento, reaproveitamento, utilização e reutilização do lixo a partir de coleta seletiva do lixo e encaminhamento do lixo para o destino final correto.

5. METODOLOGIA:

A partir das minhas observações nas escolas em que desenvolvo a docência Na Rede pública e privada. Senti-me responsável pela ausência de informação, sensibilização e estimulação quanto ao meio ambiente. Incomodou-me sobremaneira a forma como é conduzida a formação das crianças que estão nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental. O quanto às mesmas não é educado em relação à recuperação, preservação e conservação do Planeta. Pude de início comprovar o descomprometimento dos professores neste processo de ensino aprendizagem formador. Tão significante para a vida animal e vegetal.

O que mais me instigava era como inserir de forma inclusiva ações a partir de atividades que dessem possibilidades das crianças se sentirem sensibilizadas, estimuladas a praticarem ações que resultassem na melhoria da qualidade de vida animal e vegetal. E principalmente na qualidade de vida das próprias crianças. Uma vez que cuidando do meio ambiente, elas estarão cuidando da sua própria existência no Planeta.

Nas minhas inúmeras visitas nas escolas públicas e particulares, estas me deram condições de observar como a educação ambiental não faz parte da vida destas crianças. Vivendo com as crianças no seu cotidiano nestas escolas, acompanhei as suas práticas contra o meio ambiente. Deparei-me com o total desrespeito ao meio ambiente. Como a sala de aula, o banheiro, o pátio e as demais repartições e setores da escola recebem uma quantidade absurda de lixo diariamente. Tive uma constatação mais grave: não há um mínimo de comprometimento por parte dos professores e demais envolvido no processo educacional quanto à questão do lixo. Realizei algumas entrevistas dialogadas com professores e alunos e comprovei a veracidade do meu objeto de investigação. A palavra do professor “Edgar” retrata a opinião da maioria, onde o mesmo afirma: “O lixo é problema do governo, eu pago imposto para quê? Este problema não é meu!” Percebi que a opinião deste professor demonstra a falta de responsabilidade e compromisso deste diante de um problema que é coletivo e não particular. Outrossim, entendi que é mais fácil colocar responsabilidades no outro do que em nós mesmos. O problema do lixo é nosso. E pensando e agindo desta maneira é que vamos encontrar saídas para este grave problema ambiental. Para obter mais posições a respeito do objeto de estudo, realizei coletagens com outros envolvidos no processo. Utilizei outros questionários abertos de entrevistas livres. Que me fornecessem informações consistentes de confirmação do objeto pesquisado. Direcionei as perguntas: primeiramente - Para onde você destina o seu lixo? E depois - o que você pode fazer diante do problema do lixo?. As repostas foram diversificadas, e confirmaram a falta de informação a respeito do lixo e as conseqüências que o mesmo desencadeia no meio ambiente. Ainda desconhecem como utilizar e reutilizar. Quando colocamos que cada pessoa produz cerca de 300 quilos por ano de lixo. As crianças além de não ter conhecimento deste dado. Ficaram assustadas com a quantidade. Foram citados alguns materiais de convívio das crianças que são jogados diariamente em qualquer lugar. Citamos como exemplo: o papel que é muito comum jogá-lo no chão e que o mesmo passa cerca de 06 (seis) meses para poder ser decomposto. O chiclete que chega a ficar até 05(cinco) anos, o plástico e o metal que passam um tempo de 100(cem) anos, a borracha que passa um tempo indeterminado e o vidro que atinge a incrível marca de 1000000(um milhão) de anos. Concluímos que não há como deixar de produzir lixo, no entanto, é possível diminuir esta produção, e podemos também reutilizar e reaproveitar. Reduzindo o desperdício no nosso cotidiano, reutilizando sempre que possível, separando os materiais que pode ser reaproveitado e transformado mediante o processo de reciclagem, que é um dos meios viáveis benéficos para o meio ambiente. Diante da constatação do problema e sensibilização da necessidade e responsabilidade de intervirem, as crianças foram estimuladas a desenvolver juntos com os professores um programa permanente de coleta seletiva do lixo. Onde a própria escola será o ponto de coletagem inicialmente. A escola fará o recolhimento do material separado e seu armazenamento será feito em um local adequado, após irá providenciar o destino final do lixo, que pode ser a comercialização dos materiais transformados e o encaminhamento dos demais materiais não transformados para as Usinas de reciclagem do lixo.

Este conjunto de ações permanentes desenvolvidas nas escolas seguiu algumas etapas sistemáticas que as relatarei de forma suscita. Inicialmente em convívio com a comunidade educativa, relatei a importância de cuidar do meio ambiente. Obtive apoio da comunidade e isso me reuniu condições de intensificar a minha pesquisa. Pude utilizar diversos mecanismos investigativos dialógicos e materiais que me deram condições de informar para formar. Todo material informativo em documentários, livros, revistas, internet e outras fontes, foram trabalhados com as crianças para despertar a sua responsabilidade e acima de tudo a sua sensibilidade frente ao grave problema de destruição do Planeta. Com o conhecimento despertado e reconhecendo-se como mentores, transformadores de uma nova história de vida, a sua própria História. Partimos para uma etapa forte na pesquisa que foi a visitações de lugares que se encontram contaminadas pelo lixo. Rios, barragens, açudes, lixões e aterros sanitários. Fazem parte da vida das pessoas e principalmente destas crianças. Com este envolvimento das crianças não foi muito difícil propor um conjunto de pequenas ações que pudessem recuperar conservar e preservar o meio ambiente. E várias ações foram desenvolvidas, entre elas a coleta seletiva e a reutilização dos materiais mediante a reciclagem. Diversas simulações de utilização, reutilização e reciclagem foram desenvolvidas na escola e na comunidade. De acordo com este aspecto apresentado, vimos à importância de cuidar do meio ambiente, de cuidar de si próprio. Os frutos já começam a despontar a partir das ações das crianças, que se integraram nas atividades e já conseguimos escutar comentários como as palavras de Bruno de apenas 06(seis) anos de idade que relata:” O mundo! o meu mundo será melhor quando eu cuidar dele, e eu posso cuidar bem direitinho do mundo. Vou começar cuidando do lixo.”

A pesquisa propiciou uma abordagem qualitativa e nos forneceu uma investigação direta de dados, cujos dados foram o ambiente natural. Neste tipo de investigação o que importa é o processo que está acima do resultado ou produto. Onde identificamos que a escola é fundamental e as crianças são levadas a reflexão sobre as questões ambientais, mais especificamente no problema do lixo. As crianças podem fazer a diferença, não só para elas, mas para a sua família, sua comunidade, sua cidade, seu mundo. rduo de melhorar a vida no Planeta.riar em seu ambiente alguns estudanteses, sendo realizadas com responsabilidade, compromisso e vontade de transformar a situaç

RESENHA DA OBRA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO DE PAULO FREIRE

CURSO DE MESTRADO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO – COM ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM INOVAÇÃO PEDAGÓGICA.

RESENHA DA OBRA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO DE PAULO FREIRE.

Trabalho apresentado ao Curso de Mestra-

do em Ciências da Educação - Com Área de

Concentração em Inovação pedagógica na Disciplina de Pensamento Pedagógico Con-

temporâneo – PCC. Com orientação do Drº.

Em Educação Robson Luiz de França Para

Obtenção de Nota.

Pesqueira, Julho de 2010.

Ivanildo José do Nascimento

RESENHA DA OBRA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO DE PAULO FREIRE.

PESQUEIRA, JULHO DE 2010.

Resenha da Obra: Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire.

Escrita por: Ivanildo José do Nascimento – Mestrando em Ciências da Educação.

Paulo Freire escreveu a obra Pedagogia do Oprimido quando estava exilado no Chile nos anos de 1967 a 1968. Esta foi publicada pela primeira vez no ano de 1970 na língua inglesa nos EUA (Estados Unidos da América) e New York. Na língua Portuguesa teve o seu prefácio de Ernani Maria Fiori, pela Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro. Os escritos da Pedagogia do Oprimido foram construídos por um período de 20(vinte) anos. É uma obra que foi parte a parte sendo formada por vivências em Conferências, diálogos, aulas. Isto é, ela foi formatada em dois momentos: primeiro na oralidade e segundo na grafia propriamente. A obra objetiva que as pessoas menos favorecida da nossa sociedade tenham um descobrimento em nível de mundo, e que não percam tempo nas ações que podem modificar as pessoas. A obra está estruturada em 04(quatro) capítulos que tentaremos compreender e descrever nesta resenha da obra.

CAPÍTULO I

A justificativa da Pedagogia do Oprimido.

Neste capítulo Paulo Freire trata de questões cruciais no cenário pedagógico. Onde enfatiza a educação como uma prática da liberdade. Nesta prática podemos verificar como deve ocorrer a superação da contradição de opressores e oprimidos. Seguindo em aprofundamento na situação concreta de opressão e opressores e se deparando com uma análise da opressão e dos oprimidos. Bem resumida no contexto de que não há liberdade individual, mas em um exercício coletivo.

A Pedagogia do Oprimido desafia o homem e o coloca como problema e solução ao mesmo tempo. Ela destaca que o homem conhece pouco de si mesmo e gera no próprio homem uma inquietude por descobrir um pouco mais do seu potencial de resolver situações problemas. Quanto mais de aprofunda no descobrir do seu “eu” sem perceber se torna um problema para si próprio. O que o conduz, desafia constantemente a respostas e novas perguntas. Comprovar tudo isto, implica em reconhecimento da desumanização como uma realidade histórica. No caminho do próprio homem vem à tona o dilema: humanização e desumanização em um processo histórico de forma real, objetivo e concreto. Dando possibilidades de o homem reconhecer-se como ser não concluído e consciente de sua inconclusão. Neste dilema a humanização busca evidenciar a vocação do homem, algumas vezes negada, mas ao mesmo tempo confirmada na usa própria negatividade. Que é evidente na injustiça, exploração, opressão e na violência dos opressores confirmada na ânsia de liberdade, de justiça, de luta dos oprimidos em recuperação da humanização destruída. Que se torna desumanização, mas que não é verificada tão somente na humanização destruída, mas também naqueles que contribuem decididamente para esta desumanização.

Em síntese a desumanização não é uma vocação histórica do homem. Mas um fato concreto histórico em uma ordem injusta que implanta a violência dos opressores para com os oprimidos.

A violência praticada pelos os opressores contra os oprimidos é um ato desumano. Tornando os opressores o “ser mais” em contradição com os oprimidos o “ser menos”. “ Ser menos” implica em processo natural de luta contra o “ser mais”. Nesta luta encontramos um sentido lógico: os oprimidos lutam para recuperar a sua humanidade negada, destruída, roubada. Tornando-os verdadeiros restauradores da sua própria opressão e dos oprimidos. Uma luta que é pautada mediante uma ação de amor. No qual se opõe ao desamor que está contido na violência dos opressores, mesmo quando se evidencia uma generosidade que na verdade é uma generosidade camuflada, ou seja, falsa.

A Pedagogia do Oprimido deve ser desenvolvida com os oprimidos e não para os oprimidos em um processo constante para recuperar a humanização. Uma pedagogia que permita que a opressão com suas causas e efeitos sejam objetos de estudos reflexivos dos oprimidos e que resulte em uma tomada de decisão no comprometimento fundamental na luta em prol da libertação que a pedagogia propiciará.

Um ponto destacável e fundamental a ser reportado é: como os oprimidos poderão fazer parte da elaboração da pedagogia do oprimido? Já que estes têm dentro de si: o opressor. Os oprimidos neste processo são na verdade seres duplos, isto é, oprimidos e opressores. É necessário que se descubra esta dualidade e a partir deste descobrimento a Pedagogia do Oprimido, que não pode ser feita pelos opressores, torna-se um dos instrumentos de descoberta da criticidade dos oprimidos por si mesmos e também dos opressores pelos oprimidos com manifestações claras da falta de humanização. Já que é uma questão de papel condicional. Busca-se uma libertação do oprimido do seu opressor, no entanto, quando esta ocorre verifica-se que o oprimido quando saí do estágio de oprimido, este assume o papel também de opressor e muitas vezes são opressores mais duros, mais ferrenhos com os outros oprimidos. Isto ocorre por que o estágio de opressão não foi transformado. O oprimido tem na verdade no opressor o seu referencial de modelo de libertação. Enquanto não houver uma superação concreta de ser classe oprimida, buscando-se uma libertação verdadeira e consciente. Estaremos apenas mantendo ou reproduzindo o mesmo modelo de sociedade com os oprimidos tornando-se opressores e opressores mais opressores dos oprimidos. É uma conquista e esta é conseguida em uma busca permanente e consciente dos seus ideais de libertação. Que não é de um ser individual, mas do coletivo. No momento em que ocorre esta libertação coletiva, percebemos que este ideal de libertação concreto gera um homem novo, que é fruto da superação da contradição entre opressores e oprimidos. Gerando um homem que não é mais oprimido, que não se torna opressor, mas um homem libertado, consciente de que a libertação é uma conquista conseguida a partir de uma luta permanente.

Resumidamente nos deparamos neste capítulo da Pedagogia do Oprimido com o problema da consciência do oprimido e consciência do opressor quanto à situação concreta de opressão, em uma visão dualista. Nesta visão concreta da situação de opressão e opressores o que importa para os opressores é ter cada vez mais e se manter sempre no papel de opressor, na maioria das vezes isto ocorre às custas daqueles que tem cada vez menos. O “ser” para os opressores é ter cada vez mais e mais. É este o caminho tomado nesta prática pedagógica desumana.

CAPÍTULO II

A concepção “ Bancária” da educação como instrumento da opressão. Seus pressupostos, sua crítica.

Em análise da relação educador-educando em todos os níveis verificados no âmbito escolar. Identificamos um caráter relacional marcante e especial: o de ocorrer e ser relações do tipo narradoras e dissertadoras. Narradora, já que é embasada nos conteúdos que são solidificados na concretude da realidade. E dissertadora que é dada por meio de um sujeito, no caso, o narrador (educador) e os ouvintes (educandos). Nesta narração onde o educador é o sujeito, vimos o educando sendo conduzido a uma memorização mecânica do conteúdo desenvolvido. Este tipo de narração transforma o educando em um “balde”, ou seja, um recipiente, um “depósito” a ser enchido pelo educador. Sendo assim, podemos observar que quanto mais vai sendo cheio este recipiente (o educando), melhor se dará o processo pedagógico desta concepção de educação. Em síntese, quanto mais este depósito é cheio ( o educando), teremos melhores educandos, segundo esta concepção educacional. Nesta ótica, o ato de educar, é tão somente um ato de depositar. Onde os educadores são depositantes e os educandos são depositários. Deveria ocorrer uma troca de conhecimentos, compartilhamento. No entanto, há apenas um passar de conteúdos e informações que o educando recebe, memoriza e simplesmente repete da mesma forma que recebeu. É uma visão pedagógica bancária, onde a ação que é ofertada aos educandos é a de receber conteúdos e estes devem ser guardados e arquivados para posteriormente serem reproduzidos da mesma forma que foram recebidos. Na verdade quem é arquivado, são as pessoas que estão no processo errado de educação. Isto porque fora do foco da busca e da práxis, estes não podem “ser”. Estes educadores e educandos são arquivados nesta concepção bancária à medida que não ocorre transformação, criatividade e saber. Já que só existe saber na invenção e reinvenção; na busca inquieta e permanente que as pessoas fazem no mundo, com o mundo e com as outras pessoas em uma busca esperançosa de mudança.

Nesta visão bancária da educação, o conhecimento (saber) é na verdade uma entrega daqueles que se julgam sábios para aqueles que também se julgam não sábios. Entrega que é fundamentada em uma manifestação explícita da ideologia da opressão. O educador que se comporta desta maneira, se aliena na ignorância e tem uma postura fixa no que se refere ao seu saber, onde ele será o detentor do saber e o educando o do não saber. Nesta forma distorcida de fazer educação ocorre uma negação da educação como processo de busca pela libertação do homem.

A educação bancária tão implantada nas escolas traz em si um modelo que reflete a sociedade de opressão, estimulando uma cultura do silêncio frente aos problemas sociais. Nela identificamos o educador como à pessoa que educa e os educandos que recebem este modelo educacional. O educador é o responsável, o detentor do saber, por sua vez, os educandos são os que nada sabem. O educador é tido como a figura do ser pensante, o educando recebe o fruto do ser pensante. O educador é o que fala, o educando é o que escuta e executa apenas o que lhes é falado. O educador é o que faz opção e escreve esta opção, o educando segue a risca esta escrição. O educador é o que tem uma atuação evidente, enquanto os educandos são à sombra desta atuação. O educador seleciona o que deve ser ensinado, os educandos recebe estes conteúdos pré determinados sem direito a opinar. O educador direciona com autoridade e autonomia o saber, o educando está sujeito a esta autoridade e autonomia do educador. Enfim o educador é o “dono” do processo de ensino e o educando apenas o “objeto” receptor deste processo de ensino. Analisando: se o educador é o que sabe e os educandos os que nada sabem. Há tão somente neste processo uma continuação de um modelo de sociedade opressora. Onde deixamos de exercitar e formar seres críticos, pensantes, criativos e transformadores do mundo em que vivem.

Para superar esta concepção bancária é necessário que as pessoas se tornem seres de busca pela humanização, baseado em um pensar autêntico e não no sentido da entrega do saber. A ação deve ser ser fundamentada na crença do poder criador das pessoas. Claro que há uma exigência a ser feita para o educador: que este seja companheiro dos seus educandos nas suas relações de ensino. Se o educador superar esta contradição que a concepção bancária evidencia. Não teremos depósitos, não estaremos a serviço da desumanização, da opressão, mas a serviço de uma libertação. Uma libertação que só será possível a partir de uma educação problematizadora que quebra os esquemas tradicionais da educação bancária, realizada como prática libertadora, superando o sistema da opressão. Em um processo de eliminação de oprimidos e opressores, de educador e educando, de sujeito e objeto e a implantação de uma educação baseada no compartilhamento, na divisão de saberes. Onde ao mesmo tempo em que se educa também se é educado. Educadores e educandos tornando-se sujeitos do processo, crescendo juntos em saber. Num processo de comunhão da educação entre ambos e o mundo em que estão convivendo.

CAPÍTULO III

A dialogicidade – essência da educação como prática da liberdade.

Analisaremos neste capítulo o diálogo como essência para uma educação libertadora. O mesmo se apresenta como indispensável para o processo da educação problematizadora.

O diálogo é o encontro das pessoas e este encontro se dá mediatizados pelo mundo em que estes vivem em uma relação ampla entre si e o ambiente em que habita. Um diálogo fundamentado no amor. Um amor de comprometimento com a libertação das pessoas. Um amor que supera a situação opressora, já que o mesmo restaura o que não era permitido. Permissão para amar a vida, amar o mundo, amar as pessoas, torna-se possível mediante o diálogo. O diálogo humilde que encontra as pessoas e as destina a viver em um estágio de criação e recriação permanente da sua libertação. No diálogo há o encontro das pessoas na busca do “ser mais”, este encontro é realizado com uma esperança de mudança. Os que estão no diálogo agem com um pensar verdadeiro, um pensar crítico, um pensar que não aceita a separação do mundo/homem, mas reconhece entre estes uma solidariedade sólida, sem ruptura.

Para que ocorra uma educação baseada no diálogo e esta como prática de libertação é primordial que o diálogo comece quando se sabe o que vai ser dialogado. Quando temos um esclarecimento sobre o que vamos dialogar, temos condições de desenvolver este diálogo com eficácia e com frutos gerados de forma satisfatória.

A educação baseada no diálogo deixa para trás a educação bancária e se mostra como uma das saídas para humanizar as pessoas, para libertá-las. Na medida em que as pessoas são educadas, mediante uma dialogicidade. Estas são libertadas da situação de oprimidos e não ingressa na posição de opressores, já que estas foram educadas a partir de um pensar crítico, com conteúdos organizados que dão uma visão real de mundo.

Em síntese: na educação dialógica libertadora. As pessoas são sujeitos do seu pensar, discutindo este pensar com a sua visão de mundo. Manifestada de forma clara nas suas sugestões próprias e nas dos seus companheiros. Uma visão educacional que parte da convicção de que é fundamental buscar um diálogo com o povo e este de forma participativa e compartilhada. Saindo de uma sociedade de opressão para uma sociedade igualitária.

CAPÍTULO IV

A teoria da ação antidialógica.

Neste capítulo final da obra: Pedagogia do Oprimido. Vamos analisar as teorias da ação cultural, esta que é desenvolvida mediante uma matriz antidialógica e dialógica. E têm como reafirmação os homens como seres da práxis. Seres do quefazer que emergem do mundo e transforma este com seu trabalho. Os homens que são seres do quefazer, onde este fazer é ação e reflexão. Isto é, práxis. Ou seja, teoria e prática.

A teoria da ação antidialógica serve a classe opressora dominadora. Esta precisa ser superada pela teoria dialógica que é ação revolucionária da situação. A ação antidialógica se impõe ao opressor em uma conquista que oprime mais e mais os oprimidos. Não só de forma econômica, mas também na cultural. Roubando do oprimido a sua palavra, o seu poder de expressão. Sendo desta maneira implantada uma situação opressora, antidialógica. Este antidialógico é referencial para manter esta opressão. O aumento da massa oprimida nesta conquista surge como um traço considerável da ação antidialógica. Concluímos que não existe realidade opressora que não seja antidialógica, assim como não existe antidialogicidade em que os opressores não se empenhem de forma permanente na conquista dos oprimidos.

Uma característica marcante da teoria da ação antidialógica é a manipulação das pessoas oprimidas. Esta manipulação é um instrumento da conquista e é em torno desta manipulação que circula esta ação antidialógica. Mediante esta manipulação a classe dominadora conforma a classe popular de que esta é imatura e que precisa da classe dominante para existir, para sobreviver.

Em conclusão: lutamos para que o processo revolucionário na educação ocorra por meio de uma ação cultural dialógica. Onde haja uma superação do estado de objetos (dominados) para um estado de sujeitos: protagonistas de sua história. Deste modo teremos uma transformação da realidade no que diz respeito à desumanização. Tornando o homem humanizado.

Finalizando, identificamos o opressor que tem como objetivo oprimir, e este está fundamentado em uma teoria da ação opressora. E os oprimidos na luta para se libertarem e esta se dará mediante uma teoria de ação libertadora revolucionária. Este citado opressor enfatiza a sua teoria de ação opressora sem a participação do oprimido, já que este é contrário a sua ação de oprimir. O povo (massa oprimida) esmagado na sua cidadania, contrário ao opressor, constitui a sua teoria de ação libertadora, onde esta não pode ser individual e sim coletiva.

Finalmente, no encontro do opressor com o oprimido, na comunhão de ambos. É que teremos uma revolução na educação. Partindo de uma educação dialógica e problematizadora que serve à libertação do homem como um todo; no qual depositamos nossa crença no seu poder de criação e recriação. Mediante a sua própria transformação para uma transformação do mundo.